terça-feira, 29 de abril de 2008

Dia Internacional da Dança - 29 de Abril.


"Qualquer manifestação artística antes de ser reconhecida, instituída, aprovada ou desaprovada é uma descoberta individual, uma necessidade de expressão inerente ao ser humano.

(...)Se vocação é uma aptidão natural, um desejo inabalável de realizar algo, então expressar esse desejo é a meta a cumprir. Assim nasceu em mim o desejo de dançar. Percebi que podia libertar as minhas fortes emoções dançando e que o acto, em si, de dançar era uma sensação de grande prazer e alegria. Lembro-me muito bem que, aos seis, sete, oito anos, sentia uma necessidade enorme de ser feliz, e, tal como hoje, dançar dava-me felicidade, fazia-me sentir bem. Não dançava para ser vista, julgada ou admirada. Dançava para mim quando calhava, quando me apetecia (...) fiel ao que no principio era para mim a dança."

(Isabel Ruth, bailarina portuguesa)


Pelo dia da Dança, pra minha filha Larissa: O meu desejo é que a sua relação com a dança seja assim, de pura felicidade. Besos.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois
esquece todas as danças,
e também quer dormir
como as outras crianças.
Cecília Meireles

quinta-feira, 24 de abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Auê, Auê!!


Descobrimento do Brasil

"Depois de 44 dias de viagem, no dia 22 de abril de 1500, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra firme. Os 13 navios ficaram reconhecendo a nova terra e seus habitantes, os índios. Era o início da história do Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei de Portugal, relatou detalhadamente o fato. "





Yby moetéua,

Ndê remundú,

Reicô Brasil,

Ndê, iyaissú !
Mira quá yuy sui sy catú,

Ndê, ixaissú,

Brasil!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O que o Acordo Ortográfico não viu.

Cante lá que eu canto cá (Patativa do Assaré)
Poeta, cantô de rua, Que na cidade nasceu, Cante a cidade que é sua, Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo, Aqui, Deus me ensinou tudo, Sem de livro precisá Por favô, não mêxa aqui, Que eu também não mexo aí, Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação, Aprendeu munta ciença, Mas das coisa do sertão Não tem boa esperiença. Nunca fez uma paioça, Nunca trabaiou na roça, Não pode conhecê bem, Pois nesta penosa vida, Só quem provou da comida Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão, Precisa nele morá, Tê armoço de fejão E a janta de mucunzá, Vivê pobre, sem dinhêro, Socado dentro do mato, De apragata currelepe,Pisando inriba do estrepe, Brocando a unha-de-gato.
Você é muito ditoso, Sabe lê, sabe escrevê, Pois vá cantando o seu gozo, Que eu canto meu padecê. Inquanto a felicidade Você canta na cidade, Cá no sertão eu infrento A fome, a dô e a misera. Pra sê poeta divera, Precisa tê sofrimento.
Sua rima, inda que seja Bordada de prata e de ôro, Para a gente sertaneja É perdido este tesôro. Com o seu verso bem feito, Não canta o sertão dereito, Porque você não conhece Nossa vida aperreada. E a dô só é bem cantada, Cantada por quem padece.
Só canta o sertão dereito, Com tudo quanto ele tem, Quem sempre correu estreito, Sem proteção de ninguém, Coberto de precisão Suportando a privação Com paciença de Jó, Puxando o cabo da inxada, Na quebrada e na chapada, Moiadinho de suó.
Amigo, não tenha quêxa, Veja que eu tenho razão Em lhe dizê que não mêxa Nas coisa do meu sertão. Pois, se não sabe o colega De quá manêra se pega Num ferro pra trabaiá, Por favô, não mêxa aqui, Que eu também não mêxo aí, Cante lá que eu canto cá.
Repare que a minha vida É deferente da sua. A sua rima pulida Nasceu no salão da rua. Já eu sou bem deferente, Meu verso é como a simente Que nasce inriba do chão; Não tenho estudo nem arte, A minha rima faz parte Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo O grande tesôro seu, Os livro do seu colejo, Onde você aprendeu. Pra gente aqui sê poeta E fazê rima compreta, Não precisa professô; Basta vê no mês de maio, Um poema em cada gaio E um verso em cada fulô.
Seu verso é uma mistura, É um tá sarapaté, Que quem tem pôca leitura Lê, mais não sabe o que é. Tem tanta coisa incantada, Tanta deusa, tanta fada, Tanto mistéro e condão E ôtros negoço impossive. Eu canto as coisa visive Do meu querido sertão.
Canto as fulô e os abróio Com todas coisa daqui: Pra toda parte que eu óio Vejo um verso se bulí. Se as vêz andando no vale Atrás de curá meus male Quero repará pra serra Assim que eu óio pra cima, Vejo um divule de rima Caindo inriba da terra.
Mas tudo é rima rastêra De fruita de jatobá, De fôia de gamelêra E fulô de trapiá, De canto de passarinho E da poêra do caminho, Quando a ventania vem, Pois você já tá ciente: Nossa vida é deferente E nosso verso também.
Repare que deferença Iziste na vida nossa: Inquanto eu tô na sentença, Trabaiando em minha roça, Você lá no seu descanso, Fuma o seu cigarro mando, Bem perfumado e sadio; Já eu, aqui tive a sorte De fumá cigarro forte Feito de paia de mio.
Você, vaidoso e facêro, Toda vez que qué fumá, Tira do bôrso um isquêro Do mais bonito metá. Eu que não posso com isso, Puxo por meu artifiço Arranjado por aqui, Feito de chifre de gado,Cheio de argodão queimado, Boa pedra e bom fuzí.
Sua vida é divirtida E a minha é grande pená. Só numa parte de vida Nóis dois samo bem iguá: É no dereito sagrado, Por Jesus abençoado Pra consolá nosso pranto, Conheço e não me confundo Da coisa mió do mundo Nóis goza do mesmo tanto.
Eu não posso lhe invejá Nem você invejá eu, O que Deus lhe deu por lá, Aqui Deus também me deuPois minha boa muié, Me estima com munta fé, Me abraça, beja e qué bem E ninguém pode negá Que das coisa naturá Tem ela o que a sua tem.
Aqui findo esta verdade Toda cheia de razão: Fique na sua cidade Que eu fico no meu sertão. Já lhe mostrei um ispeio, Já lhe dei grande conseio Que você deve tomá. Por favô, não mexa aqui, Que eu também não mêxo aí, Cante lá que eu canto cá.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Poema dos Olhos da Amada

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
(Vinícius de Moraes - cantado po Bethânia)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Segunda-feira, chuva fina, nostalgia.

(Abrazo - Pablo Picasso, pintor espanhol)


"Talvez me encontres

Na décima curva do vento

Molhada ainda do sangue das virgens do sacrifício

Por entre a febre

A arder."

(Ana Paula Tavares nasceu na Huíla, Sul de Angola, em 1952. Manual para amantes desesperados. Editorial Caminho, 2007)

domingo, 13 de abril de 2008

Qual será o tempo ideal?

Minha filha faz 17 anos hoje. O tempo parece que passou rápido, desde o nascimento, em 1991. Tantas coisas aconteceram de lá pra cá, e apesar dela ser 'tão menina' já tem uma história que dura 17 anos - 'foge o tempo, irreparável !!!'.
Ela quer fazer uma tatuagem.
Tatuagem? Não poderia escolher um presente mais prático?
Uma tatuagem envolve tantas reflexões!! Reflexões estas que ela já fez, antes mesmo de oficializar o pedido. As tatuagens trazem em si um valor simbólico. A opção dela, não menos diferente, tem a intenção de representar a sua posição em defesa da vida, de maneira ampla e em especial, em relação aos animais. Escolheu um golfinho, como porta-voz dessa mensagem que ela pretende traduzir em imagem. A imagem do golfinho vai circundar o tornozelo, que envolve e representa o seu abraço e a sua aliança em torno da causa. (Bonito isso, fico pensando cá com meus botões).
Contudo, tatuagens envolvem reflexões também para as mães: fico pensando sobre o tempo para se fazer tatuagens: 17 anos me parece muito cedo... Pensamentos de ordem moral ou apenas temores comuns às mães, de que uma marca assim possa, pela exposição, vir a ser objeto de diversas interpretações? Que mãe quer isso? Difícil ligar o 'dane-se' nesse momento e tantas outras preocupações me ocorrem. Sei que a atitude dela não é leviana - Ela é muito responsável com os seus compromissos, sempre muito ética e organizada, apesar dos 17 anos. Será só uma preocupação de uma mãe zelosa? Quero crer que sim. Estou entre: é muito jovem, por ter apenas 17 anos e é muito responsável, apesar dos seus 17 anos. Conflito de mãe...só pode ser.

Ainda não cheguei a uma conclusão. Penso que a imagem vai fortalecê-la ainda mais nas suas decisões em favor da vida. Por enquanto esse argumento tem sido o suficiente para o 'sim', então, já a presenteei.
Parabéns Larissa, pelo dia de hoje, mas sobretudo pela pessoa que você já é.
Besinhos carinhosos.