terça-feira, 20 de maio de 2008

A criança é feita de cem

A criança tem Cem mãos,
Cem pensamentos e modos de pensar,jogar e de falar...
Cem, sempre Cem modos de escutar
as maravilhas de amar...
Cem alegrias para cantar e compreender,
Cem mundos para descobrir,
Cem mundos para inventar,
Cem mundos para sonhar...
A criança tem Cem linguagens
(e depois Cem, Cem e Cem)
Mas roubaram-lhe noventa e nove!!!
A escola e a cultura lhe separaram a cabeça do corpo.
Dizem lhe:De pensar sem as mãos,
de fazer sem a cabeça,
de escutar e de não falar,
de compreender sem alegrias,
de amar e maravilhar-se somente na Páscoa e no Natal.
Dizem lhe: que o jogo e o trabalho,
a realidade e a fantasia,
a ciência e a imaginação,
o céu e a terra,
a razão e o sonho
são coisas que não estão juntas...
Dizem-lhe que as Cem não existem.
A criança diz: ao contrário,
as Cem existem!!!

(Loris Malaguzzi)

...centésima postagem! (Vencendo alguns desafios).

domingo, 18 de maio de 2008

Amor de Índio

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com arco da promessa
Do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia hei de viver
Para ser o que for
E ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger,
no verão sair pra pescar
No outono te conhecer,
primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto...
(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Positivismo

A verdade, meu amor mora num poço
É Pilatos lá na Bíblia quem nos diz
E também faleceu por seu pescoço
O autor da guilhotina de Paris
A verdade, meu amor mora num poço
É Pilatos lá na Bíblia quem nos diz
E também faleceu por seu pescoço
O infeliz autor da guilhotina de Paris
Vai, orgulhosa querida
Mas aprende esta lição
No canto incerto da vida
A vida sempre é o coração
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Auguste Comte
E foste ser feliz longe de mim
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Auguste Comte
E foste ser feliz longe de mim
Vai, coração que não vibra
Com seu pulo exorbitante
Transformar mais outra vida
Em dívidas flutuantes .
A intriga nasce nunca se é pequeno
Que se coma pra ver quem vai pagar
Para não sentir mais o seu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar.

(Positivismo= Noel Rosa e Orestes Barbosa)

Noel Rosa - "Um grande amor tem sempre um triste fim, com o pierrô aconteceu assim, levando este grande chute foi tomar vermute com amendoim".
(Fabulosa a capacidade de Noel em encontrar rimas, acima dele, só Camões e Bocage).
(Carlos H. Cony)

sábado, 10 de maio de 2008

"Há mar e mar, há ir e voltar"

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo
(recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser,
é já uma grande festa!

(Alexandre O’Neill )

domingo, 4 de maio de 2008

E dá-lhe PORCO!!!

..quando surge o ALVIVERDE imponente!!

Palmeiras CAMPEÃO - PAULISTÃO 2008!!!

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)e cloreto de sódio.

António Gedeão - poeta português

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Meu maio

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!
(Vladimir Maiakovski)