quinta-feira, 24 de julho de 2008

Drama: no sentido original da palavra grega drâma (acção) , drao - "eu faço, eu luto”.

Aproveitando os dias de recesso, estivemos presente, Larissa e eu, em algumas das apresentações do Festival de Teatro, cuidadosamente organizado pelo SESC Campinas;
Em cada peça, muitas emoções diferentes provocaram também diferentes expressões: risos, lágrimas, apreensão, memórias do passado...enfim, uma gama de sensações que só essa forma de arte poderia causar.
A começar por MIMO:
"A cabeça de Mimo está cheia de lembranças. Elas estão bastante inquietas: pulam, dançam e aprontam uma grande confusão em sua caótica mente. Elas fazem Mimo rir e chorar. Até que, um dia, Mimo decide viajar em busca de um ou mais lugares onde deixar suas memórias. Assim, ele espera encontrar paz. Durante a viagem, Mimo reencontra lugares de sua infância e em cada trajeto da caminhada ele revive um momento de seu passado. Com o passar do tempo, a cabeça de Mimo vai se esvaziando."
..passando por:
ACQUA TOFFANA
"O espetáculo, repleto de humor negro e dor, acompanha o relato de um homem obcecado por sua vizinha, Célia. “Fulano de Tal”, protagonista do texto, planeja incontáveis e engenhosos métodos para assassinar Célia – ou melhor, para matar a mediocridade que ela representa." e depois: CACHORRO!, LITERATURA CONTEMPORÂNEA, EU NÃO SOU CACHORRO E O ÍNCRÍVEL MENINO (PRESO) NA FOTOGRAFIA, sendo os três últimos, monólogos de Fernando Bonassi, todos os temas com um recorte profundamente reflexivo, criando um universo intimista entre ator e platéia, num convite ao mergulho para percorrerem juntos os caminhos propostos.
Ao final, a apresentação do trabalho denominado 'EXPERIENTIA', com novos artistas, apresentando a conclusão de um trabalho de 'imersão' que durou dez dias.
Os atores que se empenharam e se envolveram, transmitindo assim a crença no teatro como forma de expressão, se representam uma contemporaneidade ou futuro (incerto), revelam também a certeza da importância do teatro, enquanto linguagem e como necessidade vital para realizar a ponte entre nossas experiências estéticas e a vida.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

M.M.D.C.


"O movimento, que cobrava a criação de uma Constituição e defendia o fim da intervenção de Vargas no governo paulista, arrebatou a população após quatro manifestantes terem sido mortos em protesto na sede do partido do ex-presidente no Centro da capital. As vítimas eram Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, nomes que deram origem à sigla M.M.D.C, que batizou o movimento.
Apesar da resistência do povo, a revolução terminou sem vitória. Frente à iminente invasão das forças de Vargas, São Paulo estava vulnerável, com poucas armas e munições. As lideranças constitucionalistas fizeram então um acordo com o ex-presidente para pôr fim aos conflitos. Ao final do movimento, em 2 de outubro de 1932, Vargas sinalizou a criação de uma Constituição, promulgada em 1934.
“Hoje se fala em 9 de julho e ninguém sabe o que é. O movimento constitucionalista é uma referência de ética, respeito e civismo. Essas referências estão desaparecendo, principalmente devido aos péssimos exemplos da política”, defende seu organizador, José Carlos de Barros Lima, estudioso do movimento.

sábado, 28 de junho de 2008

Cem anos de João Guimarães Rosa


Água da palavra
Água calada, pura
Água da palavra
Água de rosa dura
Proa da palavra
Duro silêncio, nosso pai

Margem da palavra
Entre as escuras duas
Margens da palavra
Clareira, luz madura
Rosa da palavra
Puro silêncio, nosso pai


(Caetano Veloso)


"Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.. "


A terceira margem do rio - João Guimarães Rosa - do livro: Primeiras Estórias

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A queima dos livros


Quando o Regime ordenou que queimassem em público
Os livros de saber nocivo, e por toda a parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu, horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos. Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do Poder.
Queima-me! escreveu com pena veloz, queima-me!
Não me façais isso! Não me deixes de fora! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros? E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos:
Queimai-me!

(Bertold Brecht)

Acendeu a luz e leu
leu e a luz
se acendeu.

(Joaquim Pedro Barbosa, poeta mineiro)
Imagem: Torre de Livros - Pinacoteca do Estado de São Paulo

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Urashima Taro

Podem haver outros vínculos entre Brasil e Japão, vínculos fortes, culturais, gastronômicos, sociais, econômicos, dentre tantos. Esse vídeo (Urashima Taro) é o recorte para o meu vínculo pessoal e afetivo com o Japão; a minha memória de infância, quando ainda pensávamos o Japão como 'escondido' em algum lugar do outro lado da terra, depois de algum buraco profundo, que se cavássemos muito, encontraríamos.

...é a minha homenagem aos 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil.

Parabéns!!

Imagem: Joel Gonçalvez (Colagem com palha de arroz - Festival do Japão Nipo-Brasil).

terça-feira, 17 de junho de 2008

Nunca é tarde...


Quando no cais só fica ancorada
A indiferença e já não resta nada
Senão as ilusões a que te agarras.

Ouve a voz inefável das guitarras
Tingindo de paixão a madrugada
No fim duma viagem povoada
Do canto indecifrável das cigarras.

Saberás então que há sempre um começo
No profano rio em que a vida arde,
E é nessa maré viva que estremeço.

Mas, ainda que saibas que nunca é tarde,
Não tardes, que sem ti eu anoiteço,
E não peças jamais ao rio que aguarde.

Antônio Tomé, poeta moçambicano. Imagem: Rio Mondego, Coimbra.

sábado, 14 de junho de 2008

Pessoa Ilustre 1888 -1935


Eu amo tudo que foi,
Tudo que já não é,
A dor que já não me dói.
A antiga e a errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.

**

Saudades, só portugueses
Conseguem senti-las bem
Porque têm essa palavra
Para dizer que as têm

Fernando Pessoa 13/06/1888