
A obra "La Maison Tropicale" ilustra bem a relação entre os tais dois mundos. A instalação, presente no pavilhão português da Bienal de Veneza de 2007, faz uma releitura de uma experiência da arquitetura moderna francesa, nos anos 1940 e 1950. O projeto do arquiteto Jean Prouvé buscava a casa ideal, com um design que fosse acessível, adequado e belo para as colônias francesas na África, uma opção considerada perfeita ao clima boa parte escaldante do continente. Foram planejadas duas mil unidades, mas apenas três foram instaladas, uma no Niger e duas no Congo. Para a os povos da África, a casa foi vista mais uma das imposições dos colonizadores brancos, como a língua e a religião vindas da Europa. A resistência cultural foi maior que a utopia.
Ângela revisitou a história e trouxe considerações sobre os processos de imposição e dialética cultural entre sociedades colonizadas e colonizadoras, discutindo também os paradigmas culturais que a África quer a si em tempos pós-coloniais.
Além de artista, Ângela é pesquisadora. Já lecionou na Universidade da Cidade do Cabo, onde se graduou em escultura, e foi professora convidada da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Possui trabalhos em coleções como a da Fundação de Serralves, no Porto, e na Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu do Chiado, ambos em Lisboa. Seu trabalho consta ainda do acervo da South African National Gallery e na The Johannesburg Gallery, na África do Sul.
Ângela expôs ainda em galerias como a do Centro Cultural do Belém e na Filomena Soares, em Lisboa. No Brasil, já expôs no Centro Cultural São Paulo e na Galeria do Catete, no Museu da República, no Rio de Janeiro. Esteve ainda na Espanha, Inglaterra, França, Canadá, Itália e seu país natal, Moçambique. "



