sábado, 12 de dezembro de 2009

VENTO, ÁGUA, PEDRA


A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.


O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.

O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.

Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.




Poesia: Vento, Água, Pedra de Octávio Paz, poeta mexicano.
Imagem: o que me arde é chuva:
http://br.olhares.com/o_que_me_arde_e_chuva_foto1970187.html

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Que destino damos aos nossos destinos








"Há experiências que nos deixam a braços com o lado desconhecido, secreto e autêntico da vida. O Fado é uma delas. Só o compreende quem, mais do que o ouvir, já o escutou ou cantou, num dos poucos templos do seu culto autêntico.[...]
O que torna possível a conversão do destino em destinação, ou a Libertação plena de todas as inevitáveis limitações existenciais, nada compatível com a anestesia, o suicídio lento e o langor do deleite num sofrimento não emancipador. Assim, aos versos do conhecido "Fado é Sorte", de Jaime Mendes - "Bem pensado/ Todos temos nosso fado/ E quem nasce mal fadado/ Melhor fado não terá // Fado é sorte/ E do berço até à morte/ Ninguém foge por mais forte/ Ao destino que Deus dá" -, bem responderia Bocage : "Não forçam corações as divindades: / Fado amigo não há, nem fado escuro;/ Fados são as paixões, são as vontades"."

Excerto de "O fado", de Paulo A. E. Borges (Universidade de Lisboa, disponível em: http://www.pauloborges.net/textos/O%20Fado.pdf Imagens: António Zambujo in Lisboa - http://www.antoniozambujo.com/home.asp?zona=5&template=4&precedencia=0&idioma=1

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nevoeiro (fragmento)


[...]Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
[...]
É a hora!


Mensagem: Fernando Pessoa

Lua Adversa


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha


Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Poesia de Cecília Meireles
Imagem: Luar disponível em: http://br.olhares.com/luar_foto704109.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Todo o sentimento


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu

Vídeo: Verônica Sabino
Música: Chico Buarque de Holanda

sábado, 7 de novembro de 2009

Novos olhares...










Imagem I e II: Jardim - Leandro
Imagem III: Museu da Língua Portuguesa 04.07.2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cantáteis: Cantos elegíacos de amozade

[...]quem dança fado d'espera
ou tem olhos de quimera
diásporas e arrenegos
vai bater na caixa-prego
haraquiri ai-ki-dô
sente falta de esquindô
banzo no samba lelê
sinto falta de você
ponte pênsil viaduto
há dias que fico puto
pour quois mon amour por quê?[...]


...Pensar em você

É só pensar em você
Que muda o dia
Minha alegria dá pra ver
Não dá pra esconder
Nem quero pensar se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu
E eu vou só pensar em você
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
vontade de viver mais
Em paz com o mundo e comigo
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
Em paz com o mundo e consigo

Autor: Chico César
Imagem: Xilogravura de Leila Rodrigues