
terça-feira, 11 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Vou contar tudo pra minha mãe...

Essa frase é velha conhecida. Comum na infância do 'meu tempo' quando estávamos nos anos iniciais da antiga escola primária, era comum pronunciarmos nas situações de conflito.
A função desse enunciado era polivalente. Nos fortalecia perante o adversário ao nos revestir de uma retaguarda com muito mais poder de fogo do que nós. Franzinos, pequenos e briguentos por qualquer motivo (uma figurinha, uma bolinha de gude, um pedacinho de lanche diferente, um carrinho feito de tampinhas de refrigerante e latinha de 'massa de tomate') fosse na rua, na volta da escola ou até nas confusões em casa, nas habituais brigas com os outros irmãos e irmãs mais velhos que cuidavam dos mais novos enquanto os pais cumpriam as suas jornadas na roça.
A função desse enunciado era polivalente. Nos fortalecia perante o adversário ao nos revestir de uma retaguarda com muito mais poder de fogo do que nós. Franzinos, pequenos e briguentos por qualquer motivo (uma figurinha, uma bolinha de gude, um pedacinho de lanche diferente, um carrinho feito de tampinhas de refrigerante e latinha de 'massa de tomate') fosse na rua, na volta da escola ou até nas confusões em casa, nas habituais brigas com os outros irmãos e irmãs mais velhos que cuidavam dos mais novos enquanto os pais cumpriam as suas jornadas na roça.
A frase poderosa também colocava mais um elemento na briga, elemento esse que, mesmo sendo a responsável por nossa educação e o fazia com rigor, ao evocarmos a figura materna, ela entrava como a valente, a poderosa, a vingativa, jogando por terra toda a sua tentativa de fazer de nós pessoas de bem. Muitas vezes, ela nem chegava a tomar conhecimento do conflito em que nos metíamos e intimidava, por certo o adversário, porque no auge do sentimento de injustiça, havíamos profetizado: a coisa não ia ficar assim...
Com o passar do tempo, à medida em que fomos nos revestindo dos vernizes sociais, as frases carregadas de efeito que usávamos na infância foram sendo substituídas por outras que nos configuram como pessoas crescidas e menos rabugentas.
Com o passar do tempo, à medida em que fomos nos revestindo dos vernizes sociais, as frases carregadas de efeito que usávamos na infância foram sendo substituídas por outras que nos configuram como pessoas crescidas e menos rabugentas.
Adulta, família constituída e morando distante da casa materna, muitas vezes me percebi ainda dependente, senão da frase, mas da atitude: ir à casa da minha mãe e 'contar tudo'.
Algumas vezes enfatizando em como a vida tem me feito vítima de injustiças ou aquelas causadas por mim própria; as situações em que me sinto enfraquecida e frágil, perante inimigos simbólicos e outros sentimentos bons como os sucessos alcançados no dia a dia, as alegrias das conquistas dos filhos, etc... ao contar tudo pra minha mãe, exteriorizava e os reconfigurava... Ao ouví-la, ia elaborando uma troca e os sentimentos, de pesados, se convertiam em leveza, como se, ao me aconselhar, me ouvir, me elogiar, me criticar, ela tirasse de minhas costas, uma a uma, as pedras que a vida ia colocando... O resultado era que eu voltava de lá mais leve, com um bem estar que não sei descrever.
Celebrar o dia das mães em casa de minha mãe como fizemos ontem, conserva essa aura onde encontro energia semelhante no abraço fraterno dos meus irmãos e irmã. Eles mantém na casa um ambiente acolhedor onde o passar das horas se dá entre boas conversas, as lembrancas e a comida caseira. Retorno melhor, sempre melhor do que vou - renovada e fortalecida.
Celebrar o dia das mães em casa de minha mãe como fizemos ontem, conserva essa aura onde encontro energia semelhante no abraço fraterno dos meus irmãos e irmã. Eles mantém na casa um ambiente acolhedor onde o passar das horas se dá entre boas conversas, as lembrancas e a comida caseira. Retorno melhor, sempre melhor do que vou - renovada e fortalecida.
Já, agora, sem a mãe, impera um sentimento profundo que alterna ausência e presença.
Imagem: 1981 - Seu Kide, Dona Kelé e Dade. Americana, SP.
domingo, 25 de abril de 2010
Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
— mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
— palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
— que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
— e um dia me acabarei.
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
— mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
— palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
— que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
— e um dia me acabarei.
Poesia: Timidez - Cecília Meireles
Foto: Nedjem
sábado, 24 de abril de 2010
Canção
Silfos ou gnomos tocam?...
Roçam nos pinheirais
Sombras e bafos leves
De ritmos musicais.
Ondulam como em voltas
De estradas não sei onde
Ou como alguém que entre árvores
Ora se mostra ou esconde.
Forma longínqua e incerta
Do que eu nunca terei...
Mal oiço e quase choro.
Por que choro não sei.
Tão tênue melodia
Que mal sei se ela existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.
Mas cessa, como uma brisa
Esquece a forma aos seus ais;
E agora não há mais música
Do que a dos pinheirais.
Roçam nos pinheirais
Sombras e bafos leves
De ritmos musicais.
Ondulam como em voltas
De estradas não sei onde
Ou como alguém que entre árvores
Ora se mostra ou esconde.
Forma longínqua e incerta
Do que eu nunca terei...
Mal oiço e quase choro.
Por que choro não sei.
Tão tênue melodia
Que mal sei se ela existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.
Mas cessa, como uma brisa
Esquece a forma aos seus ais;
E agora não há mais música
Do que a dos pinheirais.
Imagem:http://br.olhares.com/espelho_azulado_foto2533593.html de Rui Altair Merlin
música:Greensleeves - http://www.youtube.com/watch?v=YJxvVP3Yhws
Poesia: Canção de Fernando Pessoa
terça-feira, 20 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Quo Vadis?
sexta-feira, 2 de abril de 2010
De... Para...

"Dor
Lassitude
Qualquer coisa como ter perdido o trem....
Lassitude
Qualquer coisa como ter perdido o trem....
....................................
É tão grande a manhã!
É tão bom respirar!
Como é gostoso gostar da vida!
- A própria dor é uma felicidade."
É tão grande a manhã!
É tão bom respirar!
Como é gostoso gostar da vida!
- A própria dor é uma felicidade."
Poesia: Mario de Andrade.
Imagem: Passei por lá - Benjamim Vieira - http://br.olhares.com/passei_por_la_foto3062825.html
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