domingo, 12 de junho de 2011

Notinha de carinho

A mensagem abaixo me foi enviada através de uma colega:
"Não esquente se você não passar o dia dos NAMORADOS com um namorado. Lembre-se que você também não se entristece por não passar o dia do índio com um índio nem o dia da árvore com uma árvore e muito menos o dia de finados com um defunto..."
Aos que no dia de hoje não tem um namorado ou namorada para abraçar, fica essa notinha bem humorada que vai na contramão das leis de mercado.
Nem que seja só pra transgredir, sorria no dia de hoje e vá sonhando com a delicadeza expressa no gesto da imagem.
Imagem: Namorados de Sérgio Afonso - disponível em: http://br.olhares.com/namorados_foto600424.html

domingo, 5 de junho de 2011

...afagar a terra













Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão
O Cio da Terra - Chico Buarque e Milton Nascimento
Imagens - Preparando a Horta - um certo lugar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Constrangimentos pedagógicos - fragmento I


[...] A minha chegada na escola coincide com a saída do primeiro período. Na entrada, um estudante me pergunta se eu trabalho aqui nessa escola e eu repondo que não e devolvo a pergunta – e você, estuda aqui nessa escola? Ele responde que sim.
- Então você sabe ler e escrever!
Diz que não, nem ler e nem escrever. E pergunto novamente – como você sabe que não sabe ler e escrever? - ‘A professora falou. ’ Insisto mais um pouco e pergunto por que, então, não aprende a ler e escrever? E ele responde - ‘é que eu faço bagunça’.
Ele se despede, vai embora.
Sento-me no habitual "Cantinho da Leitura". Passo os olhos pelas paredes e os painés
denotam que há um trabalho sobre as relações interpessoais, os direitos, a não violência, a cultura de paz...

Imagem: um direito, uma escola, um lugar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

À presença de meu pai

Meu pai, na sua simplicidade, sempre teve a música em sua vida e nos ensinou a gostar de música também. Ele se emocionava ao ouvir Miguel Aceves Mejia, que estava entre os seus cantores favoritos.
São composições que atravessam o tempo e o espaço e ouví-las é reviver esse tempo e sentir a presença de meu pai...

Amor Se Dice Cantando

Amor se dice cantando
Sin quejas y sin llorar
Para que te abran los brazos
Y no te hagan esperar.

Amor yo vengo buscando
Tú me lo tienes que dar
Ya si me lo pide el alma
Amor espera llevas.

Ay corazón ya no sufras
No quiero verte penando
Amor se dice cantando
Sin quejas y sin llorar.

De amor estoy ya muriendo
Y tengo que soportar
Tenerte aqui ante mis ojos
Y no poder te abrasar.

Si no me caso contigo
Con quien me voy a casar
Si no me miro en tus ojos
Donde me voy a mirar. ¿

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fome e poesia

Vejam o tanto de poesia que há na síntese sócio-econômica-antropológica do comentário feito por um anônimo:
"Sou do Algarve era eu criança , hà 40 anos perguntei au meu avo, porque não deitavam abaixo o velho moinho que se encontrava no bico de um serro , ele respondeu QUEM SABE ??? AINDA PODEMOS UM DIA VOLTAR PARA O TEMPO DA FOME ."


Comentário extraído da reportagem intitulada: Porto, Gaia e Matosinhos abrem cantinas escolares nas férias da Páscoa - disponível em:
http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1827846

Imagem:
http://br.olhares.com/joaorodriguesdacosta - http://br.olhares.com/serra_do_caldeirao-_algarve_foto3809010.html

terça-feira, 29 de março de 2011

Catulo na voz de Maria Bethânia


Não há, oh gente oh não,

Luar Como esse do sertão

Oh que saudade

Do luar da minha terra

Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão

Este luar cá da cidade

Tão escuro

Não tem aquela saudade

Do luar lá do sertão

Não há, oh gente...

Se a lua nasce

Por detrás da verde mata

Mais parece um sol de prata

Prateando a solidão

E a gente pega Na viola que ponteia

E a canção

É a lua cheia

A nos nascer do coração

Não há, oh gente...

Coisa mais bela

Neste mundo não existe

Do que ouvir-se um galo triste

No sertão, se faz luar

Parece até que a alma da lua

É que descanta Escondida na garganta

Desse galo a soluçar Não há, oh gente...

Ah, quem me dera

Que eu morresse lá na serra

Abraçado à minha terra

E dormindo de uma vez

Ser enterrado

Numa grota pequenina

Onde à tarde a sururina

Chora a sua viuvez Não há, oh gente...

Na mesma perspectiva da interpretação da poesia de Chico Buarque em Futuros Amantes, de que um amor do passado, entre dois, fica no ar para quem quiser ou puder apanhar futuramente... que o amor entre dois 'serve' pra outros, a criação de Catulo da Paixão Cearense - Luar do Sertão é também uma matriz brasileira de onde tanta poesia se deriva.


Imagem: Caucaia - Ceará by Héder

sábado, 26 de março de 2011