sexta-feira, 15 de maio de 2009

Salut Marin


Salut marin bon vent à toi
Tu as fait ta malle, tu a mis les voiles
Je sais que tu n'reviendras pas
On dit que le vent des étoiles
Et plus salé qu'un alizé
Et plus salé qu'un alizé
Plus entétant qu'un mistral
Plus entétant qu'un mistral
Au revoir marin, tu vas manquer
Au revoir marin, tu vas manquer
Tes yeux bleus, ton air d'amiral

Salut marin bon vent à toi
J'te dis bon vent mais ça m'fait mal
Car marin tu emportes avec toi
Toute notre enfance de cristal
Et notre jeunesse de miel
Et notre jeunesse de miel
Et tous nos projets d'arc en ciel
Et tous nos projets d'arc en ciel
Et du Cap Horn à Etretat,
Du Havre aux plages de Goa
L'horizon à toi se rappelle

Vous, les marins, vous êtes ainsi
Vous ne savez rien d'autre que partir
Vous, les marins, vous êtes cruels
Vous nous laissez au large de vos souvenirs
Vous, le marins, vous êtes sans coeur
Vous préférez la mer à vos amours
Et les sirènes de chaque port
À vos mères, à vos femmes et à vos soeurs.

La vie marin passe sans bruit
Comme autrefois tout en secoussses
Quelquefois c'est la houle et le roulis
Et quelquefois la vague est douce
Alors je fais comme il se doit
Alors je fais comme il se doit
Je vis tranquille au bord d'un précipice
Tranquille au bord d'un précipice
Marin tu serais fier je crois
Marin tu serais fier je crois
Je vis de faze, le vent aux trousses
Tout comme toi.

Marinheiro
Saudação, marinheiro, bom vento a você
Fizeste a tua mala, puseste as velas
Sei que você não retornará
Diz-se que o vento das estrelas é mais salgado que um
tropical
Mais inebriante que um vento do norte
Adeus, marinheiro, vais fazer falta
Os teus olhos azuis, o teu ar de almirante

Saudação, marinheiro, bom vento a você
Te digo "bom vento" mas isso me faz mal
Porque, marinheiro, você me leva com você
Toda nossa infância de cristal
E a nossa juventude de mel
E todos os nossos projetos de arco-íris
E do Cabo Horn à Etretat
De Havre às praias de Goa
O horizonte recorda-se de você

Você, marinheiro, é assim
Não sabe nada além de partir
Vocês, os marinheiros, são cruéis
Deixam-nos fora das vossas lembranças
Vocês, marinheiros, são sem coração
Preferem o mar aos vossos amores,
E as sirenes de cada porto às vossas mães, às
vossas
mulheres e ás vossas irmãs.

A vida marinha passa sem barulho
Como em outros tempos, tudo em movimentos suaves
Às vezes é a ondulação e o giro
e às vezes a onda é suave.
Então faço como se deve
Vivo tranqüilo à beira de um precipício
Marinheiro, você estaria orgulhoso, eu creio
Vivo em agitação, o vento "aos pacotes"
Da mesma maneira que você.


Composição: Carla Bruni


terça-feira, 12 de maio de 2009

Cuidado, Frágil!


Cheguei em casa chateada, no retorno da aula. Dei boa noite aos filhos e enquanto me desvencilhava da bolsa, sacola, apostilas, etc... alarmei:
- Gente, vocês não fazem ideia do que me aconteceu hoje, na aula da Corinta.
Fizeram carinhas de surpresa e de dozinha da mãe, porque quando faço essa introdução, já sabem que em seguida vem algum fracasso. Sem mais suspense, entrei logo no assunto, dizendo que na aula a professora nos contou como eram confeccionados os ovos de Páscoa no seu tempo de infância, em sua cidade, no Rio Grande do Sul. Ao contar, ela foi ilustrando a conversa nos mostrando os ovinhos que ela e o Vanderlei (seu esposo e professor também) tinham feito. Dentro da embalagem comum de ovos, havia ovinhos decorados, cada um de um jeito diferente e o que tinham em comum é que, ao serem oferecidos, traziam em si a demonstração de carinho a alguém de quem se gosta. Destacou que alguns haviam sido feitos especialmente para os seus orientandos e que os demais seriam sorteados entre os presentes. Nem preciso dizer que eles anteciparam que a contemplada fui eu, com um ovinho a escolher: todos bonitinhos, pintados com esmalte de unha de diferentes cores e formas e recheados com amendoim moído. Empolgada com o resultado do sorteio, escolhi o que me chamou mais a atenção: cheio de florzinhas coloridas, que tinha sido feito pelo Vanderlei. Contei passo a passo da minha alegria ao ganhar aquele mimo, do cuidado que tive com ele e de como o meu sentimento se equilibrava entre o medo imenso de derrubar (então eu o apertava) e o medo que ele quebrasse (então eu afrouxava a mão). Era uma pequena jóia. Porém, não demorou muito e...
Ah, sim, ia me esquecendo: tive tempo de fazer uma espécie de ninho com dobradura de folha de caderno e encaixei-o para que ficasse ainda mais seguro, sem que rolasse ou trincasse em minha mão. Enquanto cuidava para segurar o ovinho na dose certa, equilibrava o caderno, a caneta e fazia as anotações sobre a aula. Claro que lembro pouco da aula porque só pensava no momento de chegar em casa e mostrar aos pimpolhos o produto da minha sorte. É pena, mas durou pouco a minha alegria de tê-lo ganho.
Nem sei como dizer, mas ele saltou do ninho...como em câmera lenta...fui acompanhando o seu percurso, da mão até sua explosão no chão... revelando o conteúdo e o odor delicioso do recheio de amendoim. Foi magnífico. Ele realmente caiu com classe, explodindo em cacos e em cores, semelhante aos fogos de artifícios no céu...mas em direção oposta. E eu... fiquei perplexa entre o vexame dos maus tratos com o presente (tão cobiçado) e a frustração de chegar em casa sem ter o ovinho inteiro para representar o trabalho dos professores e quanto de história havia ali, concentrada naquele pequeno território. Murmúrios de lamento... e seguiu a aula.
Não era o caso de interromper a explicação da professora e atrair pra mim a atenção.
Os sentimentos de vexame, de megera, de mal agradecida, de 'mico', já tinha sido o bastante e foram só meus. Em termos. Solidariamente, minha amiga Edna veio em meu socorro, juntando os cacos, literalmente e me auxiliando na recolha dos fragmentos, enquanto as colegas próximas me confortavam dizendo: Não ligue, afinal, você teve o gosto de ganhar, de tê-lo nas mãos... Contive o choro e lamentei com elas. De lembrança, levei algumas amostras das florzinhas, nos pedacinhos que consegui juntar. Do recheio de amendoim, sobrou só a memória do cheirinho...
Encerrei meu relato, cercada pelos filhos, num forte abraço e a exclamação resignada: êh, mãe...
Ciclo encerrando, pensei eu. Mas os filhos foram mais adiante (surpreendam-se também!).
No dia de Páscoa, recebi uma caixinha de papel, artesanalmente elaborada e ao abrir....dois ovinhos, que seguramente passaram por um processo semelhante de carinhosa elaboração, coloridos e recheados com paçoca. Do lado de fora, um bilhete com a recomendação:
CUIDADO, FRÁGIL.

domingo, 10 de maio de 2009

Homenagem às mães


Mãe: Alô?
Filha: Mãe? Posso deixar os meninos contigo hoje à noite?
Mãe: Vai sair?
Filha: Vou.
Mãe: Com quem?
Filha: Com um amigo.
Mãe: Não entendo porque você se separou do teu marido, um homem tão bom…
Filha: Mãe! Eu não me separei dele! ELE que se separou de mim!
Mãe: É… você me perde o marido e agora fica saindo por aí com qualquer um…
Filha: Eu não saio por aí com qualquer um. Posso deixar os meninos?
Mãe: Eu nunca deixei vocês com a minha mãe, para sair com um homem que não fosse teu pai!
Filha: Eu sei, mãe. Tem muita coisa que você fez que eu não faço!
Mãe: O que você tá querendo dizer?
Filha: Nada! Só quero saber se posso deixar os meninos.
Mãe: Vai passar a noite com o outro? E se teu marido ficar sabendo?
Filha: Meu ex-marido!! Não acho que vai ligar muito, não deve ter dormido uma noite sozinho desde a separação!
Mãe: Então você VAI dormir com o vagabundo!
Filha: Não é um vagabundo!!!
Mãe: Um homem que fica saindo com uma divorciada com filhos só pode ser um vagabundo, um aproveitador!
Filha: Não vou discutir, mãe. Deixo os meninos ou não?
Mãe: Coitados… Com uma mãe assim…
Filha: Assim como?
Mãe: Irresponsável! Inconseqüente! Por isso teu marido te deixou!
Filha: CHEGA!!!
Mãe: Ainda por cima grita comigo! Aposto que com o vagabundo que ta saindo contigo você não grita.
Filha: Agora tá preocupada com o vagabundo?
Mãe: Eu não disse que era vagabundo!? Percebi de cara!
Filha: Tchau!!
Mãe: Espera, não desliga! A que horas vai trazer os meninos?
Filha: Não vou. Não vou levar os meninos, também agora não vou mais sair.
Mãe: Não vai sair? Vai ficar em casa? E você acha o que, que o príncipe encantado vai bater na tua porta? Uma mulher na tua idade, com dois filhos, pensa que marido está assim fácil? Se deixar passar mais dois anos, aí sim que vai ficar sozinha a vida toda! Depois não vai dizer que não avisei! Eu acho um absurdo, na tua idade você ainda precisar que EU te empurre para sair!

Texto:Luis Fernando Veríssimo

Imagem: http://br.olhares.com/speotyto_cunicularia_coruja_buraqueira_foto1776462.html

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O seu olhar



O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu

O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu

O Seu Olhar - Arnaldo Antunes Composição: Paulo Tatit / Arnaldo Antunes

domingo, 3 de maio de 2009

Amor, então,




Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.


Poesia: Paulo Leminski

sábado, 2 de maio de 2009

Movimento dos Barcos




Estou Cansado E Você Também
Vou Sair Sem Abrir A Porta
E Não Voltar Nunca Mais
Desculpe

A Paz Que Lhe Roubei
E O Futuro Esperado

Que Nunca Lhe Dei
É Impossível Levar

Um Barco Sem Temporais
E Suportar A Vida Como Um Momento

Além Do Cais
Que Passa Ao Largo Do Nosso Corpo
Não Quero Ficar Dando Adeus
Às Coisas Passando
Eu Quero É Passar Com Elas
E Não Deixar Nada Mais

Do Que Cinzas De Um Cigarro
E A Marca De Um Abraço No Seu Corpo
Não, Não Sou Eu Quem Vai Ficar

No Porto Chorando
Lamentando

O Eterno Movimento Dos Barcos

Movimento Dos Barcos: Jards Macalé e Capinam



Imagem: Cais - Pereira Lopes, em: http://br.olhares.com/cais_foto587911.html

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Trabalho...


honesto, voluntário, manual, em equipe, avulso, rural, braçal, alienado, assalariado, temporário, científico, em física, infantil, artístico, escravo, de parto, humano...
"O trabalho é, em primeiro lugar, um processo de que participam igualmente o homem e a natureza, e no qual o homem espontaneamente inicia, regula e controla as relações materiais entre si próprio e a natureza. Ele se opõe à natureza como uma de suas próprias forças, pondo em movimento braços e pernas, as forças naturais de seu corpo, a fim de apropriar-se das produções da natureza de forma ajustada às suas próprias necessidades. Pois, atuando assim sobre o mundo exterior e modificando-o, ao mesmo tempo ele modifica a sua própria natureza.
[...]Pressupomos o trabalho em uma forma que caracteriza como exclusivamente humano. Uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha deixa envergonhados muitos arquitetos na construção de suas colmeias. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de a erguer na realidade. Na extremidade de todo processo de trabalho, chegamos a um resultado já existente antes na imaginação do trabalhador ao começá-lo. Ele não apenas efetua uma mudança de forma no material com que trabalha, mas também concretiza uma finalidade dele próprio que fixa a lei de seu modus operandi, e à qual tem de subordinar sua própria vontade."(MARX, Karl,O capital, I, p. 197-198, grifos meus)



Um Homem Nunca Chora (José Craveirinha)
Acreditava naquela história
do homem que nunca chora.
Eu julgava-me um homem.
Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.
Agora tremo.
E agora choro.
Como um homem treme.
Como chora um homem!

Um homem também chora (Gonzaguinha)
Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura
Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo peito

Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os tornem refeitos
É triste ver, meu homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra

Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz



Não dá pra ser feliz

http://br.geocities.com/poesiaeterna/poetas/mocambique/josecraveirinha.htm#Um Homem Nunca Chora
Gonzaguinha:Um Homem Também Chora(Guerreiro Menino,1983.
Imagem: Verde, amarelo: a vida no arame. Férias no SESC, janeiro 2009.