domingo, 31 de maio de 2009

Fado!

Meu amor, abre a janela
que eu vou passar junto dela
quando chegar a tardinha
mas não chames o meu nome
porque a saudade encontrou-me
e eu posso não estar sozinha
Prendi no peito uma flor
que diz mais do meu amor
do que promessas sem fim
mas não venhas a correr
que ninguém deve saber
o que tu sentes por mim
E depois não tenhas medo
que eu sei amar em segredo
e vou passar de mansinho
sem levantar a cabeça
pra que ninguém me conheça
tu podes não estar sozinho
Só quando a noite cair
é que me atrevo a subir
para te pôr na lapela
a flor da minha saudade
mas como o frio nos invade
meu amor, fecha a janela
!
MEU AMOR ABRE A JANELA - Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Armando Machado (Fado Santa Luzia)
Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=oYlvQ6Z2hsU
Imagem: Janela da Casa de Amália Rodrigues, Lisboa - Portugal - 2008

sábado, 30 de maio de 2009

As Folhas Mortas

Agradeço e retribuo a um amigo:
Oh, eu queria tanto que você se lembrasse,
Dos dias felizes quando nós éramos amigos,
Nesse tempo, a vida era mais bela,
E o sol queimava mais que hoje.
As folhas mortas são colhidas com uma pá.
Você vê, eu não me esqueci.
As folhas mortas são colhidas com uma pá,
As lembranças e os arrependimentos também,
E o vento do norte as leva,
Na noite fria do esquecimento.
Você vê, eu não me esqueci,
Da canção que você cantava...
É uma canção que parece com a gente,
Você que me amava, eu que te amava.
Nós vivíamos, os dois, juntos,
Você que me amava, eu que te amava.
E a vida separa aqueles que se amam,
Levemente, sem fazer barulho.
E o mar apaga, sobre a areia,
Os passos dos amantes separados.
Nós vivíamos, os dois, juntos,
Você que me amava, eu que te amava.
E a vida separa aqueles que se amam,
Levemente, sem fazer barulho.
E o mar apaga, sobre a areia,
Os passos dos amantes separados..."


Les feuilles mortes - Tradução: Fernando Dollyman
Escrita em 1945 por Jacques Prévert (1900-1977), com música do compositor húngaro Joseph Kosma (1905-1969) e interpretação de Yves Montand (1921-1991) em 1981 no Olympia de Paris.
Imagem: Raízes - Marilene Simão de Alcântara - Brasília - http://br.olhares.com/raizes_foto1448193.html

quinta-feira, 28 de maio de 2009

"Servir é a maior das artes"


Numa das primeiras cenas de A vida é bela, o aprendiz de garçom Guido Orefice procura a melhor inclinação do torso para saudar os clientes: 45 graus, à maneira das garrafas de champanhe? Ou talvez mais? De tão esforçado, inclina a cabeça até o chão. É quando recebe uma lição do tio e mestre: "Servir é a maior das artes" e, como tal, escapa a todo servilismo. Eis a chave das proezas do garçom: transportado com o filho para um campo de concentração, Guido leva ao virtuosismo a arte de servir sem subserviência. (1)

Se você pesquisar a expressão: PODER PÚBLICO, encontra, dentre outras, essa definição: "Poder público é o conjunto dos órgãos com autoridade para realizar os trabalhos do Estado, constituído de Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário.
A expressão é utilizada também no plural (poderes públicos), também chamados de poderes políticos. Em sentido amplo, representa o próprio
governo, o conjunto de atribuições legitimadas pela soberania popular."(2)

O que temos presenciado na GREVE - movimento organizado e legítimo dos trabalhadores municipais de Campinas é a concretização do entrelaçamento desses dois conceitos. Somos nós, servidores, que estamos com a 'mão na massa' e que, de fato, temos carregado a cidade nas mãos, a duras penas, em favor dos cidadãos e zelando pelo patrimônio construído com o dinheiro público.Nessa arte, servimos, sem servilidade, sem nos curvarmos aos desmandos da administração, exercendo, com coerência o nosso PODER PÚBLICO na condução das nossas atribuições.



EL MONTE Y EL RÍO(3)

En mi patria hay un monte.
En mi patria hay un río.

Ven conmigo.

La noche al monte sube.
El hambre baja al río.

Ven conmigo.

Quiénes son los que sufren?
No sé, pero son míos.

Ven conmigo.

No sé, pero me llaman
y me dicen: "Sufrimos".

Ven conmigo.

Y me dicen: "Tu pueblo,
tu pueblo desdichado,
entre el monte y el río,

con hambre y con dolores,
no quiere luchar solo,
te está esperando, amigo".

Oh tú, la que yo amo,
pequeña, grano rojo
de trigo,
será dura la lucha,
la vida será dura,
pero vendrás conmigo.



Venham conosco e sigamos mais fortes, que a nossa luta é legítima.

(3) -Los versos del capitán - Pablo Neruda
Imagem: Trabalho e movimento - Marcos Persico - Bahia, Brasil.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O mar, a coroa e o Cara

A moeda, da colecção "A Língua Portuguesa", será distribuída pelas tesourarias das instituições de crédito e do Banco de Portugal, anunciou a instituição. A Casa da Moeda está autorizada a cunhar até 150 mil exemplares.
“Tentei encontrar os autores que podiam simbolizar com maior eficácia a língua portuguesa numa pesquisa com o apoio de Natividade Pires, especialista em literatura”, professora no Instituto Politécnico de Castelo Branco, disse o escultor José Simão, colega da docente no estabelecimento de ensino superior. Com o perfil de Fernando Pessoa surge na moeda a inscrição repetida da frase “A Minha Pátria é a Língua Portuguesa”, e, no reverso, a imagem de Camões e as legendas “Língua Portuguesa” e “Património Cultural”. “Camões e Pessoa levaram a nossa língua além fronteiras. Tentei cruzar isso com a nossa diáspora, que é o transporte da cultura e da língua”, explicou o autor.
Assim, o mar é o elemento comum às duas faces da moeda, ao lado das representações de Camões e Pessoa. “Os dois poetas viajaram, primeiro eles, depois os seus livros. E há um escudo que é levado pelas ondas” numa das faces da moeda, descreveu José Simão. “Esse escudo é a língua portuguesa, mas é o povo português que vai nessa viagem. Estamos todos ali simbolizados”, sublinhou.
Esta é a quinta moeda do escultor, desenhada no seu ateliê em Castelo Branco, onde reside.

Imagem: Nova moeda de coleção de 2,5 euros que entra em circulação. Fernando Pessoa e Camões foram escolhidos pelo escultor José Simão para ilustrá-la.

GREVE II


"Estamos em Greve já há 6 dias, por reposição salarial, pelo fim do nepotismo, contra os desmandos do poder, por melhoria nas condições de trabalho e estruturais em todo serviço público campineiro. Na última rodada de negociação ocorrida dia 25/05/2009 às 15 horas, ele além de não comparecer à mesa de negociação, manda seus secretários oferecer os mesmo 0% de reposição da inflação, 0% da reajuste no bônus e 3% de ?aumento? nos vencimentos. Mais uma vez assistimos uma queda de braço dos donos do poder contra o povo. " http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/05/447630.shtml
Sucesso ao movimento que a cada dia se fortalece.
Imagens disponibilizadas por Lurdinha.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aos colegas do movimento paredista


[...]Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]

Corrigindo: Esse trecho é parte da poesia de Eduardo Alves da Costa e indevidamente havia sido atribuído a Vladimir Maiakóvski. Obrigada às colegas Mafê e Pity pela correção.
EDUARDO ALVES DA COSTA - Niterói, RJ, 1936 - Nota: Poema publicado no livro 'Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século', organizado por José Nêumanne Pinto, pag. 218.
http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/falsos.htm

domingo, 24 de maio de 2009

Simplicidade, curiosidade e ironia


"Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja esse o sinal para me esquecerem de todo.
A Natureza nunca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de interpretar a erva verde sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural."

Fernando Pessoa (é o autor, mas curiosa ou insensivelmente, não teve esse privilégio).

Não fui à procura de Van Gogh nem de Fernando Pessoa. Fui à procura do túmulo do pintor Willian Hogart, que tem em sua lápide uma linda mensagem, citada no filme 'The Mother' (http://www.sonyclassics.com/themother/core/hasflash.html). Não encontrei. Entretanto, cheguei a esse blog que me despertou a curiosidade pelo olhar artístico com que o autor trata a arte tumular. http://tumulosfamosos.blogspot.com/


Imagem: Túmulo de Van Gogh e do seu irmão Theo.
PERSONALIDADE: Vincent Willem van Gogh (Groot Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise,França, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista neerlandês, freqüentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.
BIOGRAFIA: Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais.
ARTE TUMULAR: Uma simples lápide de mármore onde está gravado o seu nome. Vinte anos depois os restos mortais do seu irmão Theo, morto em 1891, foram transladados para um túmulo do lado de Van Gogh.
LOCAL: Cemitério da cidade de Auvers-sur-Oise, na França.
http://tumulosfamosos.blogspot.com/search/label/VAN%20GOGH-11-%20Pintor