
sábado, 31 de dezembro de 2011
O sentido da amizade

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
A casa de cada um

Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: “Leia e passe para frente!”. Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.
Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.
Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida, depende de como é construída.
Muita gente se aproxima de mim e diz:
- Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade!
Estremeço.
Frequentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se.
Na minha área profissional, isso é muito comum. Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro.
Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?
Há quem largue tudo por uma paixão.
Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar.
- Deixa de brincadeira , ele respondeu.
- Eu sei voar, sim! rebateu ela.
Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou.
Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!
Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger.
Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.
Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Namora mulheres problemáticas. Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais.
Outro dia lhe perguntei:
– Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você?
Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.
São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga.
Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.
Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:
- Agora você pode comprar um apartamento para morar.
Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!
Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí.
Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Sou envolvido por um sentimento muito especial.
Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa. O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar!
E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida!"
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Pensar (o mundo) como Pessoa
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
TABACARIA - Álvaro de Campos, 15-1-1928 disponível emhttp://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acampos/456.php
...e o ESTEVES?
Será real ou fictício? Ao acaso, do tipo Alea jacta est... e surge ESTEVES.
ESTEVES teria sido filosoficamente refletido – talvez um neologismo derivado de um pretérito perfeito - para ter a força do nome carregado da marca do tempo?
Pessoa vive e Esteves vive (sem metafísica) - Esteves se tornou imortal na imortalidade de Fernando Pessoa.
Eu estive, tu Esteves...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
SINS, eu quero...

Eu quero sempre tudo
Eu digo sempre sim
Eu não me confundo
Eu vou logo aceitando
Eu peço sempre muito
Eu quero ver o fundo
Eu não vacilo
O tempo todo eu mudo
Eu não duvido
Eu nunca pego restos
Eu não decido, eu quero...
Para estar em movimento
Invento alvos
Eu finjo que estou perto
Eu só minto pra mim mesmo
Atrás de frequências, potências, clarezas
Alcei novas retas
Alcei novas rotas
Por onde pulsa a minha pressa
Eu não duvido
E sim eu digo
E sim eu quero
E sins, eu quero...
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Bem assim...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Brega, eu? ...

Tu t'en vas
Et dans mon cœur ce n'est rien
Que quelques semaines à s'attendre
Tu t'en vas
Mes joies mes rêves sont pour toi
Impossible de t'y méprendre
Tu t'en vas
Et notre amour nous appartient
Nul ne saurait nous le reprendre
Tu t'en vas
L'éloignement aide parfois
A mieux s'aimer mieux se comprendre
Tu t'en vas
Comme un soleil qui disparaît
Comme un été comme un dimanche
J'ai peur de l'hiver et du froid
J'ai peur du vide de l'absence
Tu t'en vas
Et les oiseaux ne chantent plus
Le monde n'est qu'indifférence
J'ai peur de toi j'ai peur de moi
J'ai peur que vienne le silence
Tu t'en vas
Et dans mon cœur ce n'est rien
Rien qu'un départ sans importance
Tu t'en vas
C'est mon cœur tu le sais bien
Rien qu'un caprice de l'existence
Tu t'en vas
Le temps l'espace ne sont rien
Si tu me gardes ta confiance
Tu t'en vas
Chaque matin qui vient tu sais
Pourtant (qu'enfin) tout recommence
Tu t'en vas
Je reste là seul et perdu
Comme aux pires heures de l'enfance
J'ai peur de l'hiver et du froid
J'ai peur du vide de l'absence
Tu t'en vas
Soudain pour moi tout s'assombrit
Le monde n'est qu'incohérence
J'ai peur de toi j'ai peur de moi
J'ai peur que vienne le silence
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
256 anos - enterrar os mortos e cuidar dos vivos...
domingo, 23 de outubro de 2011
Que Nem Jiló (Luiz Gonzaga)

Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim,
Que vivo doido a sofrer
Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar...
domingo, 16 de outubro de 2011
Nós Duas


Além do mesmo sangue, almas iguais nós temos;
pois, pelo mesmo ideal e com o mesmo anseio,
dentro da vida, nós lutamos e sofremos.
Vemos na arte um refúgio, um oásis, um esteio
para a nossa inquietude, e num barco sem remos
vagamos à mercê do próprio devaneio,
sabendo que jamais à enseada chegaremos...
E, apesar de ela ter todo um sol na cabeça
e o nevoeiro do inverno a minha já embranqueça,
da angústia de minha alma a sua compartilha:
Ela pensa, eu medito... Ela sonha, eu me lembro...
Nossa pobreza é igual de dezembro a novembro:
Quem somos, afinal? Apenas, mãe e filha.
Poesia NÓS DUAS - In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
sábado, 15 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011

Procurei algum recado seu no celular e não encontrei.
Driblo o vento e me equilibro dentro do agasalho.
vou rasgar suas cartas e soltar os papéis pelo vento.
“I’not in love , so don't forget it ...”
Quem se importa?
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Frente Al Mar (Alfonsina Storni)
Oh mar, enorme mar, corazón fiero
De ritmo desigual, corazón malo,
Yo soy más blanda que ese pobre palo
Que se pudre en tus ondas prisionero.
Oh mar, dame tu cólera tremenda,
Yo me pasé la vida perdonando,
Porque entendía, mar, yo me fui dando:
«Piedad, piedad para el que más ofenda».
Vulgaridad, vulgaridad me acosa.
Ah, me han comprado la ciudad y el hombre.
Hazme tener tu cólera sin nombre:
Ya me fatiga esta misión de rosa.
¿Ves al vulgar? Ese vulgar me apena,
Me falta el aire y donde falta quedo,
Quisiera no entender, pero no puedo:
Es la vulgaridad que me envenena.
Me empobrecí porque entender abruma,
Me empobrecí porque entender sofoca,
¡Bendecida la fuerza de la roca!
Yo tengo el corazón como la espuma.
Mar, yo soñaba ser como tú eres,
Allá en las tardes que la vida mía
Bajo las horas cálidas se abría…
Ah, yo soñaba ser como tú eres.
Mírame aquí, pequeña, miserable,
Todo dolor me vence, todo sueño;
Mar, dame, dame el inefable empeño
De tornarme soberbia, inalcanzable.
Dame tu sal, tu yodo, tu fiereza.
¡Aire de mar!… ¡Oh, tempestad! ¡Oh enojo!
Desdichada de mí, soy un abrojo,
Y muero, mar, sucumbo en mi pobreza.
Y el alma mía es como el mar, es eso,
Ah, la ciudad la pudre y la equivoca;
Pequeña vida que dolor provoca,
¡Que pueda libertarme de su peso!
Vuele mi empeño, mi esperanza vuele…
La vida mía debió ser horrible,
Debió ser una arteria incontenible
Y apenas es cicatriz que siempre duele.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Pequena lição de um grande menino
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
...quando entrar setembro
sábado, 13 de agosto de 2011
Tudo é feito pra acabar...
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração
Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer
Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim
A gente é feito pra acabar
A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim
domingo, 31 de julho de 2011
Sim, tudo é certo logo que o não seja
domingo, 17 de julho de 2011
Mestres do Passado

Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.
Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
e duas vezes mais alto
Do que seu dono Carlinhos.
Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.
Dormia durante o dia,
Mas, quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.
Porém Carlinhos, rolando
Com ele ás tontas no chão,
Nunca saía chorando
Mordido pelo Plutão...
Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado.
Um dia caiu doente
Carlinhos... Junto ao colchão
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.
Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa de dores,
Era uma casa maldita.
Morreu Carlinhos... A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto,
Como um homem, o Plutão.
Depois, seguiu o menino,
Segui-o calado e sério;
Quis ter o mesmo destino:
Não saiu do cemitério.
Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.
domingo, 10 de julho de 2011
Lembra?

Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...
Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...
Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...
Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...
Lembra de mim!...
Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...
Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...
Lembra de mim!...
http://www.espelhodecultura.pt/m_eventos_a_espectaculos159.html e releitura de Henrique Caldeira - http://br.olhares.com/Hencal
domingo, 12 de junho de 2011
Notinha de carinho

domingo, 5 de junho de 2011
...afagar a terra
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Constrangimentos pedagógicos - fragmento I
- Então você sabe ler e escrever!
Diz que não, nem ler e nem escrever. E pergunto novamente – como você sabe que não sabe ler e escrever? - ‘A professora falou. ’ Insisto mais um pouco e pergunto por que, então, não aprende a ler e escrever? E ele responde - ‘é que eu faço bagunça’.
Ele se despede, vai embora.
Sento-me no habitual "Cantinho da Leitura". Passo os olhos pelas paredes e os painés denotam que há um trabalho sobre as relações interpessoais, os direitos, a não violência, a cultura de paz...
Imagem: um direito, uma escola, um lugar.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
À presença de meu pai
Amor Se Dice Cantando
Amor se dice cantando
Sin quejas y sin llorar
Para que te abran los brazos
Y no te hagan esperar.
Amor yo vengo buscando
Tú me lo tienes que dar
Ya si me lo pide el alma
Amor espera llevas.
Ay corazón ya no sufras
No quiero verte penando
Amor se dice cantando
Sin quejas y sin llorar.
De amor estoy ya muriendo
Y tengo que soportar
Tenerte aqui ante mis ojos
Y no poder te abrasar.
Si no me caso contigo
Con quien me voy a casar
Si no me miro en tus ojos
Donde me voy a mirar. ¿
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Fome e poesia

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1827846
Imagem:
http://br.olhares.com/joaorodriguesdacosta - http://br.olhares.com/serra_do_caldeirao-_algarve_foto3809010.html
terça-feira, 29 de março de 2011
Catulo na voz de Maria Bethânia
Na mesma perspectiva da interpretação da poesia de Chico Buarque em Futuros Amantes, de que um amor do passado, entre dois, fica no ar para quem quiser ou puder apanhar futuramente... que o amor entre dois 'serve' pra outros, a criação de Catulo da Paixão Cearense - Luar do Sertão é também uma matriz brasileira de onde tanta poesia se deriva.
sábado, 26 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
OUTONO
"Se você tem o espaço, tempo e a paciência necessários para cultivar um parreiral, ao final será recompensado com belas fileiras vicejantes de videiras e cachos de frutos, deliciosos, e diversas tonalidades de rubi.
Cultivando e cuidando de parreiras - Disponível em: http://www.comofazertudo.com.br/casa-e-jardim/como-comprar-parreiras-cultivando-e-cuidando-de-parreiras
As Quatro Estações de Vivaldi - Outono - Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=pSdth1yTuzk
terça-feira, 8 de março de 2011
Vou beijar-te agora, não me leve a mal...
No recusa lo serio, lo purifica y lo completa.
Lo purifica del dogmatismo,
del carácter unilateral, de la esclerosis, del fanatismo y del espíritu categórico,
de los elementos del miedo o la intimidación,
del didactismo, de la ingenuidad y de las ilusiones,
de una nefasta fijación sobre un único plano,
del agotamiento estúpido
La risa impide que lo serio se fije y se aísle de la integridad inacabada de la existencia cotidiana.
Ella reestablece esa integridad ambivalente.
Mikhail Bakhtin
O verdadeiro riso, ambivalente e universal,
não recusa o sério, ele purifica-o e completa-o.
Purifica-o do dogmatismo,
do caráter unilateral, da esclerose, do fanatismo e do espírito categórico.
Dos elementos do medo ou intimidação,
do didatismo, da ingenuidade e das ilusões,
de uma nefasta fixação sobre um plano único,
do esgotamento estúpido.
O riso impede que o sério se fixe e se isole da integridade inacabada da existência cotidiana.
Ele restabelece essa integridade ambivalente.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Manhã de Carnaval


Na vida uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás
Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus
Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz na manhã desse amor
Composição: Luiz Bonfá e Antonio Maria
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=22DEBZzi_vE - Maysa e http://www.youtube.com/watch?v=Cd_1YLh0aFA - Joan Baez
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Processo Criativo


P&B - 1987 - PUCCAMP
Colorida - 2011